CRÔNICAS E POESIAS

POESIA: ENTRE NÓS!

Entre Nós

POESIA: O MEU QUERER

Quero hoje inundar o mundo de poesias.
Disseminar o perdão e ampliar as misericórdias.
Quero hoje não perder a vida nas buscas insanas da vaidade.

Quero me colocar no seu lugar, sentir sua dor e te libertar.
Quero não esquecer a fome, a miséria e o sofrimento alheio e com isso não me sentir superior, melhor ou invencível.

Quero aceitar com olhares serenos a inevitável morte, pois assim viverei melhor e mais intensamente.  Quero fazer das linhas do tempo em meu rosto, uma forma de me perder nas lembranças,  recriando o futuro.

E se alguém duvida deste meu querer, basta saber que ele é somente, o firme fundamento das coisas que se esperam mais não se vêem.

Por Nilcéia Fraissat

POESIA: INSTANTE

Por um instante quero parar.Olhar em volta e respirar. Quero dizer no olhar.

Tornar este momento eterno, Assim não haverá solidão.Farei deste momento um instante de inspiração.

Poderei descrever as flores até sentir o perfume. Contarei sobre a saudade dos amantes.

Falarei sobre doces intimidades de amores esquecidos. Farei de uma simples brisa um leve toque do amor de Deus.  Assim o breve momento, o olhar parado que observa o tempo, não será perdido, nem o que sinto, esquecido.

Por Nilcéia Fraissat

GARÇAS DE ITAJUBÁ

Terra fácil de ser amada, diz o hino que te encanta. Filha dos mais belos horizontes me abriguei em suas serras. No céu o corte esguio das garças pontuais do fim da tarde. Não há solidão entre elas.

Há sim cumplicidade, tão grande, tão forte, tão única.Envoltas em um instinto sábio, lá vão elas, em formato de flechas no cair da tarde. Por um instante eu paro, em meio ao transito e a multidão.

Esqueço o compromisso, esqueço os problemas. Ao observá-las quase posso voar. Me pego envolta neste sentimento solitário de inveja. Inveja da liberdade, da simplicidade, do se perder na imensidão deste azul celeste.

Apenas por instinto sabem à hora e para aonde retornar. Pobre de nós humanos, que nos perdemos em nossa racionalidade, sem destino, sem tempo certo. Em um momento de oração me recordo.

Considerai os corvos, que nem semeiam, nem segam, nem têm despensa nem celeiro, e Deus os alimenta; quanto mais valeis vós do que as aves?

– Obrigada  Pai!!!

Em seu lar elas repousam soberanas, como frutos brancos enfeitando a frágil árvore. No lago, um espelho sublime, diz adeus ao dia e adormece encobrindo as garças.

Por Nilcéa Fraissat

CAMINHO DAS FLORES

Chamo de caminho das flores, a rua que me leva de volta para casa. Se perguntar para alguém onde fica esta rua, poucas pessoas vão lhe indicar.Para percebê-las é preciso, admira-las e senti-las.

É preciso sair de si mesmo, dos seus problemas, medos, ansiedade, projetos e sonhos e olhar em volta, para fora. Às vezes estas flores são tão discretas que só mesmo um olhar atendo e descomprometido pode percebê-las, mas elas estão lá.

Levemente tocadas pelo vento, mostrando a sutileza e a delicadeza do Deus que as fez. Mas meu pensamento não se retém nas flores. Penso naqueles meninos que vi correr pelo caminho.

Em meio a sorrisos estalados e empurrões, pareciam tão livres, simples e entregues. Mas eu poderia correr também!!! O que me impediria? Meu corpo logo responde com dores e com os cansaços de um dia de adulto.

Quando vi estas crianças correndo assim tão livres tão soltas, lembrei-me de mim anos atrás. Em que idade paramos de correr? Falo desta corrida de criança que pode começar a qualquer hora e por qualquer motivo. Se por acaso a mãe chama, bobagem ir andado, mesmo que ela esteja no quarto ao lago. Lá vai o menino correndo afoito.

– Não corre se não você cai menino!! A mãe repreende, mergulhada nos medos que só as mães entendem. Lembro bem o momento que perdi a liberdade infantil. Na idade de menina moça. Meu lado menina dizia:

– Corra, pule , salte. Meu lado moça dizia:

– Que vergonha. Você já uma moça. O que as pessoas vão pensar!! Na mesma rua das flores que corre as crianças, correm também muitos adultos. Para manter a saúde, para alcançar o tempo ou para alimentar a vaidade. Mas na face destas pessoas não há um sorriso livre e estalado. Como não perceber, as vaidades e as simplicidades da rua das flores.

Por Nilcéia Fraissat

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s